A Expansão da Verticalização Residencial no Brasil: Tendências e Impactos

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Resumo: O Brasil tem experimentado um boom na construção de edifícios residenciais na última década, com um aumento de 68,7% no número de apartamentos e cerca de um terço da população vivendo em condomínios verticais. A verticalização tem se tornado uma tendência global, e sua adoção no Brasil está ligada à busca por segurança, conforto, praticidade e lazer. Com planejamento adequado, a verticalização pode trazer benefícios e contribuir para o desenvolvimento das cidades.

 

O aumento expressivo na construção de edifícios residenciais e a tendência global de verticalização

 

Ao longo da última década, o Brasil vivenciou um significativo crescimento na construção de edifícios residenciais. Atualmente, existem 10,3 milhões de unidades habitacionais em edifícios no país, representando um aumento de 68,7%. O número de moradores em condomínios verticais também é impressionante: cerca de 68 milhões de pessoas, o que equivale a um terço da população brasileira. Além disso, há aproximadamente 450 mil síndicos atuantes, e a tendência nos principais centros urbanos é a verticalização.

 

De fato, a verticalização tem se tornado uma tendência irreversível nas principais cidades do Brasil e do mundo. A construção de edifícios surge como solução para o crescimento populacional e o desejável adensamento urbano. As moradias em prédios também são necessárias para repovoar áreas centrais, atualmente ocupadas predominantemente por estabelecimentos comerciais que enfrentam dilemas quanto à sua viabilidade física, em virtude da crescente presença da internet.

 

Neste contexto de grandes centros urbanos, observa-se também o aumento do número de condomínios. Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) indicam que, em uma década, a quantidade de apartamentos construídos no Brasil aumentou de 6,1 milhões para 10,4 milhões – um incremento percentual de 68,7%. Condomínios horizontais não foram contabilizados nesta pesquisa, uma vez que se misturam aos indicadores de casas, que representam a maioria dos domicílios no país (85,6%). Contudo, é possível verificar que o aumento de edifícios residenciais condominiais praticamente dobrou em três décadas – passando de 8,37% para 14,2% dos domicílios no país, em um universo de 72,4 milhões de moradias.

 

Focando apenas na população residente em condomínios verticais, estima-se que seja composta por 68 milhões de pessoas, conforme levantamento da Associação Brasileira de Síndicos e Síndicos Profissionais (ABRASSP). Isso equivale a quase um terço da população brasileira, aproximadamente 214 milhões, e corresponde ao número de habitantes de grandes nações europeias como França e Reino Unido, considerados individualmente.

 

A contribuição dos condomínios para a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento urbano

 

A verticalização é uma característica global, mas também está relacionada à segurança proporcionada pelos condomínios, além de outros aspectos como conforto, praticidade e lazer. Segundo Guilherme Minarelli, cientista social e pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), localizado em São Paulo, a cidade é historicamente o espaço do encontro de pessoas. Com planejamento adequado, a verticalização pode ser positiva, e os condomínios residenciais podem contribuir significativamente para esse processo.

 

O sucesso da verticalização em São Paulo e a crescente demanda por síndicos profissionalizados

 

No período de duas décadas, a cidade de São Paulo experimentou a construção de 1,38 milhão de apartamentos, enquanto a oferta de casas permaneceu praticamente estagnada, passando de 1,23 milhão para 1,37 milhão de unidades. Nesse contexto, o número de unidades residenciais em condomínios verticais praticamente dobrou, oferecendo praticidade e lazer aos moradores. Atualmente, até mesmo condomínios de médio porte disponibilizam academias, áreas esportivas, piscinas, salões de beleza e praças de alimentação em suas instalações.

 

A verticalização é fundamental para o adensamento populacional, possibilitando o melhor aproveitamento da infraestrutura urbana existente, além de aproximar as residências dos locais de trabalho, reduzindo o trânsito e melhorando a qualidade de vida dos cidadãos, conforme ressalta Guilherme Minarelli, cientista social e pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), localizado em São Paulo. Por meio de um planejamento adequado, a verticalização pode contribuir positivamente para o desenvolvimento urbano, estimulando o comércio e a revitalização de áreas de lazer no entorno dos edifícios.

 

Um estudo realizado pelo CEM revela que a cidade de São Paulo atualmente possui mais prédios do que casas, sendo considerada um fenômeno em comparação a outras metrópoles, como Tóquio, Seul e Moscou. Em 2020, São Paulo contava com mais de 45 mil arranha-céus, superando as outras três cidades mencionadas, que possuíam 30 mil, 16,7 mil e 12 mil edifícios, respectivamente. Esse fenômeno pode ser atribuído ao investimento na construção de edifícios na capital paulista ao longo de 20 anos, enquanto a construção de casas permaneceu estagnada.

 

Em relação à gestão dos condomínios, o número de síndicos profissionalizados, embora ainda modesto, demonstra uma demanda crescente por gestores capacitados para administrar e mediar interesses e necessidades dos condôminos. As atribuições de um síndico incluem a mediação de conflitos, atendimento a diferentes demandas, fiscalização de serviços e promoção de consertos ou reformas nas áreas comuns. Além disso, o síndico deve desempenhar diversos papéis, como psicólogo, apaziguador, conciliador e, por vezes, adotar uma postura mais firme para lidar com diferentes situações enfrentadas na gestão condominial.

 

 

O fenômeno do Rio de Janeiro

 

Na última década, a cidade do Rio de Janeiro tem vivenciado um cenário otimista no setor imobiliário, especialmente na Zona Oeste, em bairros como Barra da Tijuca, Recreio e Campo Grande. Nesses bairros, a construção de condomínios verticais aumentou em 267%, passando de 70,5 mil para 259 mil unidades residenciais. Essa expansão é atribuída a um planejamento urbano eficiente, que tem priorizado a qualidade de vida dos moradores, a segurança e a oferta de áreas de lazer e serviços.

 

Além disso, a expansão da migração de escritórios e sedes para essa região do Rio tornou a proximidade com locais de trabalho um atrativo, reduzindo o tempo de deslocamento e contribuindo para o crescimento sustentável da região.

 

Na Zona Sul do Rio de Janeiro, principalmente nos bairros de Ipanema e Leblon, um grande número de edifícios tem passado por processos de retrofit, resultando em um aumento de 60% na valorização dessas propriedades. Além disso, a profissionalização dos condomínios tem crescido significativamente na região, com um aumento de 18% no número de síndicos profissionalizados nos últimos cinco anos.

 

Regiões fora do município do Rio de Janeiro também têm experimentado crescimento notável, com destaque para Duque de Caxias, onde o número de edifícios residenciais verticais aumentou em 342% nos últimos dez anos, alcançando 312 mil unidades. A oferta de infraestrutura e serviços têm atraído novos moradores e investimentos para a região, impulsionando a economia local e gerando empregos. Esse cenário promissor reflete o potencial de crescimento e a melhoria da qualidade de vida nas áreas metropolitanas do Rio de Janeiro.

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